sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

PETROBRAS

P E T R O B R A S
Foto: Agência Petrobras

Plataforma começa a extrair petróleo do campo de Tupi, na Bacia de Santos
Estimativa de grandes reservas na região
do pré-sal faz governo propor
mudanças no marco regulatório

Bia Teixeira
Ao completar 56 anos, a Petrobras enfrenta enormes desafios não só em terra e mar, mas também na bacia de interesses da política. Maior exploradora em águas profundas, detendo 23% das operações mundiais nesta área, a estatal terá participação garantida em todos os projetos do pré-sal. Esse é o desejo do governo federal, que mandou ao Congresso Nacional um pacote com quatro projetos de lei para mudar as regras atuais da exploração e produção de petróleo, nas quais vigora o instrumento de concessão desde a quebra do monopólio estatal, em 1997.

Pela proposta apresentada, a estatal deverá ser a única operadora, com uma participação de no mínimo 30%, nos blocos ainda a ser licitados que estiverem na área de abrangência do pré-sal – uma província petrolífera de nada menos que 149 mil quilômetros quadrados, dos quais 107,228 mil km² (72%) ainda não estão sob regime de concessão. Ou seja: pertencem à União.

Estes são os números do “Novo Marco Regulatório Pré-sal e Áreas Estratégicas”, elaborado pelo CNPE, que define a província como toda a área onde há possibilidade de ocorrências de reservas no pré-sal, sem indicar, em nenhum momento, a possibilidade de um reservatório único. Estes 72% da área, quando licitados, serão explorados sob o regime de partilha – mudança regulatória que se aplicará a outras áreas consideradas estratégicas, ainda não licitadas. E tampouco definidas. É bom lembrar que a Petrobras detém participação hoje equivalente a 24% da área total do pré-sal, ficando apenas 4% nas mãos de outras companhias.

Na realidade, a Petrobras poderá ter mais de 30% de cada bloco do pré-sal a licitar, uma vez que as novas regras estabelecem que a União poderá contratar exclusivamente a estatal ou, se quiser, fará licitações para dar acesso às demais companhias petrolíferas aos 70% restantes de participação.
A proposta é fruto de catorze meses de discussão dentro do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), um órgão de assessoramento do Presidente da República que tem como principal função formular políticas e diretrizes na área de energia. E deverá ter um período muito maior de discussão no Congresso Nacional, pois trata não somente do papel da Petrobras no pré-sal e da criação de uma segunda estatal para gerenciar essa riqueza – a Petrosal (nome provisório). Também está em jogo a questão dos royalties e das participações especiais, disputadas não somente pelos estados produtores como também por aqueles que não têm reservas de petróleo e, em alguns casos, nem mesmo costa marítima.

É nesse cenário que a Petrobras se movimenta, tanto no Brasil como no exterior, onde os executivos da companhia vêm apresentando o novo marco regulatório, assegurando ter condições de explorar o pré-sal. Mas deixando sempre uma porta aberta para investidores e eventuais parceiros contribuírem para bancar os altos custos de exploração de uma riqueza ainda não totalmente mensurada, mas que já indica que o país dobrará suas reservas (hoje, de 14 bilhões de barris) e também sua produção até 2020.

“Vamos fazer em doze anos o que a Petrobras fez em 54 anos”, tem repetido inúmeras vezes o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Uma vez que a Petrobras completou 54 anos em 2007, esta contabilidade se refere ao período de 2008 a 2020. Portanto, leva em consideração a produção média diária, no ano passado, de 1,854 milhão de barris de petróleo e LGN (liquefeito de gás natural), chegando a 2,4 milhões de barris de óleo equivalente (boe/dia), computados também o gás natural e a produção internacional da Petrobras.

A média deste ano está em 1,958 milhão de barris de petróleo e LGN, e mais de 2,5 milhões de boe/dia. No entanto, acredita-se que quando liberar os resultados de setembro, a Petrobras terá entrado no seleto clube de empresas que produzem 2 milhões de barris em casa. Mas Gabrielli olha mais além, nas metas da companhia, que pretende produzir mais de 5,7 milhões de boe/dia em 2020, mais do que o dobro da produção atual, que está projetada para superar os 2,7 milhões de barris até o final do ano. Um crescimento médio de 8,8% ao ano, o maior da indústria mundial.

Deste total, a produção brasileira será de mais de 5 milhões de boe/dia, dos quais 1,853 milhão de barris de petróleo por dia (bpd) virão do pré-sal. “Não temos a expectativa de uma grande produção nestes primeiros anos e sim a partir de 2013”, afirma Gabrielli. Na ponta do lápis, se isso se realizar, a estatal estará atingindo, somente no pré-sal, a sua atual produção nacional de petróleo.

Mistério no fundo do mar – Para atingir essa meta ambiciosa, a Petrobras prevê investimentos de US$ 111,4 bilhões, dos quais US$ 98,8 bilhões na Bacia de Santos e o restante na Bacia Capixaba. Está prevista a entrada em operação de 15 plataformas até 2013 e mais 30, até 2020. No mínimo dez plataformas serão alocadas para o pré-sal, podendo chegar a um terço do total de unidades produtoras, ou até mesmo metade, dependendo dos resultados obtidos no período.

No momento, está em curso o teste de longa duração (TLD) de Tupi, além da produção do pré-sal no Parque das Baleias, na costa do Espírito Santo, no campo de Jubarte. E já houve sinais de que as coisas não serão fáceis. Não somente pelos desafios tecnológicos da empresa, como também de seus fornecedores de bens e serviços.
Quatro dias depois de anunciar o início do refino de óleo de Tupi, na refinaria de Capuava (Recap), na Grande São Paulo, a empresa informou ter detectado “um problema de fabricação nos parafusos de fixação” da árvore de natal molhada (equipamento submarino de controle de fluxo de poços), fornecida pela multinacional Cameron. Ressalvando que uma inspeção submarina não detectou vazamento de óleo ou dano, a companhia decidiu substituir de imediato o equipamento, incluindo a base
Foto: Agência Petrobras

Refinaria de Capuava processa o óleo leve de Tupi
adaptadora, que fica na cabeça do poço. O curioso é que a Petrobras não fez grande alarde sobre essa falha ou defeito de fabricação de um projeto que custou vários milhões de dólares. Técnicos afirmam que isso se deve ao fato de a falha não ter sido encontrada em Tupi, mas em uma operação na costa capixaba – Jubarte ou Golfinho –, fazendo tremer a estatal, que optou por parar tudo.

Afinal, o óleo vem sendo extraído em condições bastante severas: profundidade de água de 2.140 metros, mais de 3.000 metros a partir do fundo do mar, abaixo de 2.000 mil metros de camada de sal e a uma distância de 300 km da costa do estado de São Paulo.

O poço foi fechado para início da intervenção no dia cinco ou seis de julho, pouco mais de dois meses após entrar em operação. Correndo contra o relógio a Petrobras conseguiu retomar o TLD em dois meses, no dia cinco de setembro, com a instalação de novos equipamentos, previamente testados. Reiniciou assim a produção de um petróleo leve, de 28,5º API, baixa acidez e baixo teor de enxofre, que é primordial para ampliar o conhecimento da Petrobras e das parceiras (BG Group, com 25%; e Galp Energia, com 10%) sobre este tipo de reservatório. “O processamento desse petróleo será importante para avaliar o rendimento e a qualidade dos derivados produzidos”, informou a estatal.

Equacionado o ‘problema de parafuso’, a estatal espera não se deparar com novos defeitos de fabricação, uma vez que a cadeia de fornecedores foi alertada para intensificar seu controle de qualidade em todas as etapas de produção de bens e serviços. Esta poderá ser uma das atribuições do grupo técnico do pré-sal que a Petrobras vai integrar, a convite da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O convite foi comunicado pela estatal no dia 7 de agosto, mesmo dia em que fez comunicado afirmando desconhecer qualquer proposta que a colocasse como operadora única do pré-sal. Na realidade, isso só seria confirmado no final do mês, no dia 31 de agosto, quando o governo apresentou seu pacote regulatório – inicialmente em regime de urgência, pleito logo abandonado em virtude da resistência encontrada dentro e fora do Congresso, por se tratar de uma proposta que afeta tantos interesses: econômicos e políticos, nacionais e estrangeiros.

Ao mesmo tempo, a empresa espera manter seu nível de acerto no pré-sal: o documento apresentado pelo governo confirma que na região do pré-sal, que se estende da Bacia do Espírito Santo até a Bacia de Santos, a Petrobras perfurou 31 poços, com 87% de taxa de sucesso. Ou seja, pelo menos quatro poços não deram em nada.

Com uma ressalva: foi de 100%, de acordo com o governo, a taxa de sucesso da estatal na Bacia de Santos, onde foram perfurados 13 poços. Quem se deu mal foi a norte-americana Exxon e a britânica BG, que perfuraram os dois únicos poços secos confirmados na Bacia de Santos. É bom lembrar que ambas são parceiras da Petrobras nesses projetos, mas detêm a responsabilidade pela fase exploratória.
Mas há boatos de um poço seco perfurado pela Petrobras, no bloco BM-S-17, jamais confirmado – a empresa alega apenas que interrompeu, por duas vezes, a perfuração por problemas técnicos. A Petrobras prefere atentar para o seu sucesso em novas descobertas, a última delas, em meados de setembro, no bloco BM-S-9, por meio do poço Abaré Oeste, na área de avaliação de Carioca. Foi o quarto poço perfurado com sucesso neste bloco. Também está em avaliação a área de Guará. Esta, por sua vez, já havia confirmado na semana anterior uma altíssima produtividade dos reservatórios: vazões da ordem de sete mil bpd, volume limitado pela capacidade dos equipamentos do teste. A estimativa de produção inicial de um poço está sendo estimada em cerca de 50 mil barris de óleo por dia. Os dados confirmam reservas recuperáveis na faixa de 1,1 bilhão a 2 bilhões de barris de óleo leve e gás natural, com densidade em torno de 30º API.
Refinarias complexas – Se na exploração e produção do pré-sal o ambiente é tenso, o mesmo acontece na área do refino, que perdeu espaço nas páginas dos jornais por causa do estrondo provocado pelas contínuas descobertas no pré-sal. Enquanto o parque de refino, com onze refinarias em operação, continua em obras, seja para expansão da capacidade produtiva ou modernização, os novos projetos demoram a decolar, como é o caso do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e da Refinaria Abreu e Lima. E já atraem os olhos do Tribunal de Contas da União (TCU).

A refinaria de Pernambuco (nomeada Abreu e Lima) teve seus custos praticamente triplicados em uma revisão não anunciada, mas que estaria prevista
nas entrelinhas dos planos de negócios da estatal, revistos anualmente. Esses números ganharam o noticiário quando o TCU solicitou informações sobre diversas obras, entre as quais as desta unidade.
P E T R O B R A S
A primeira refinaria criada pela Petrobras em mais de duas décadas – não computando o Comperj, um ativo da área petroquímica – é fruto de uma parceria entre a Petrobras e a empresa estatal venezuelana de petróleo, a PDVSA, cujo contrato final ainda não foi assinado. Inicialmente, seria uma joint venture. Mas já se fala na participação majoritária da Petrobras, que pode se tornar integral (100%) caso o governo da Venezuela não cumpra o acordo.

Esse projeto é mais conhecido como Refinaria do Nordeste, embora já existam outras em atividade na região (Lubnor, no Ceará e em Sergipe, e a baiana Landulpho Alves, a RLAM, a segunda no país em capacidade instalada, para 279 mil barris/dia).

A previsão de investimentos era de US$ 4,06 bilhões, “com variação de -15% a +30%, com base na taxa de câmbio de R$ 2,50/US$”, de acordo com a área de Relações com Investidores da Petrobras. Com a conclusão do projeto conceitual (Fase II), no apagar das luzes de 2006, a estatal projetava a entrada em operação da unidade, com capacidade de processamento de 200 mil barris de petróleo pesado por dia, para o segundo semestre de 2010, atingindo a carga plena em 2011.

No entanto, muita coisa mudou entre 2007 e 2009, incluindo a crise internacional. No desenvolvimento da fase de projeto básico (Fase III), o grau de definição dos requisitos técnicos e de planejamento do projeto foi incrementado. E muito. A capacidade de processamento foi elevada para 230 mil barris por dia (15% a mais), e as unidades foram adaptadas para atender aos novos requisitos de qualidade dos derivados. Isto é: o projeto ganhou um novo sistema de tratamento de enxofre e de diminuição de emissões de gases tóxicos.

Com isso, o cronograma de implantação e o perfil dos investimentos sofreram alterações. O início da operação foi adiado em um ano, ficando para 2011. O salto maior apareceu nos custos, agora estimados em US$ 12 bilhões (o triplo do inicial), com variação de -10% a +20%. Tal investimento ainda não recebeu o aval final da diretoria, que ainda quer renegociar e baixar custos.
O diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, já alertou, no início deste ano, que alguns preços apresentados em licitações estavam acima do esperado. E vem reafirmando que a empresa “não admitiria contratações a qualquer custo”. Algumas licitações foram canceladas e novos processos licitatórios foram abertos, com a expectativa de reduzir em 30% o valor total desses pacotes. Mas o índice de possíveis reduções na obra completa não deve chegar a mais de 10%.
“A melhor definição do escopo técnico das unidades, o incremento do conhecimento das características do petróleo a ser processado e a análise dos resultados das simulações de refino permitiram o redimensionamento da capacidade de processamento e a identificação de alterações para otimizar o desempenho técnico e econômico da Refinaria”, informa o diretor da estatal.

Segundo a direção da companhia, tal valor é perfeitamente compatível com os custos de construção de uma refinaria, hoje na faixa de US$ 50 mil por barril de capacidade. Na previsão inicial, essa relação era de US$ 20 mil por barril de capacidade. Pesaram nesse aumento principalmente três fatores. Primeiro, a ampliação da capacidade e a inclusão de novos sistemas para melhoria da qualidade dos derivados. Também houve um aumento significativo dos preços dos equipamentos e serviços em comparação com os originalmente orçados em função do aquecimento da indústria do petróleo, decorrente da elevação das cotações internacionais dos hidrocarbonetos ao longo dos últimos anos. Por último, a Petrobras aponta a depreciação do dólar perante o real, pois a maior parte dos investimentos contratados será feita em moeda nacional; na conversão, o montante em moeda norte-americana aumenta. Já na exploração, o problema está nos preços crescentes em dólares.

Em meio a tantas controvérsias, no final de setembro chegou ao porto de Suape, em Pernambuco, o primeiro lote de equipamentos, vindos diretamente de Houston (Texas, Estados Unidos). São as oito dessalgadoras de 130 toneladas cada, com 4 m de diâmetro por 32 m de comprimento, que irão compor a Unidade de Destilação Atmosférica (UDA) da refinaria pernambucana. Esses equipamentos têm a função de “lavar” o petróleo, sob condições controladas, para dissolver sais, diluir a água residual que vem das unidades de produção e remover parte das impurezas insolúveis em água, por sistema de arraste (separação de um componente de uma mistura por meio de uma corrente de fluido) na fase aquosa. Ou seja, irão desidratar e dessalinizar o petróleo pesado para ser refinado.

Armazenados em local previamente preparado no terreno da unidade, embora só venham a ser instalados no próximo ano, eles começam a dar vida à imensa área terraplenada que vai abrigar a nova refinaria. Onde antes havia apenas tratores e retroescavadeiras, haverá agora movimentação de guinchos, içamentos e as operações de logística, transporte e armazenagem necessárias para dar suporte às obras.

Será a primeira unidade de refino a receber uma carga 100% de petróleo pesado (40% a 50% da Venezuela e o restante de óleo nacional), além do Comperj, que processará óleo pesado para gerar produtos petroquímicos. A refinaria, que ocupa uma área total de 6.300.000 m² e vai empregar, quando em operação, 1.500 profissionais, produzirá GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha), nafta petroquímica, diesel, bunker (combustível para navios) e coque, com vistas a atender principalmente o mercado local e complementar o abastecimento das regiões Norte e Nordeste. Será a quinta maior em capacidade, depois da Replan (365 bpd), Rlam, Revap (251 bpd) e Reduc (242 bpd).

O fato é que ela marca também a desconcentração do refino das regiões Sul e Sudeste, que abrigam mais de 70% da capacidade instalada, com quatro refinarias em São Paulo, uma no Rio, outra no Paraná e uma no Rio Grande do Sul, sem contar a mineira Regap, com 151 bpd. E está localizada estrategicamente no Complexo Industrial e Portuário de Suape, no município de Ipojuca, região metropolitana de Recife, onde além da indústria química e petroquímica, segue em ritmo acelerado a construção do maior estaleiro das Américas, o Atlântico Sul.

Na esteira deste empreendimento estão outras três unidades: a Refinaria Potiguar Clara Camarão (RPCC) e duas refinarias Premium, nos estados do Maranhão e do Ceará, ainda sem local definido. A Petrobras fez uma parceria com a empresa japonesa Mitsui & Co. LTD. para realizar estudos conjuntos que facilitem a análise da viabilidade de implantação da unidade cearense. Outro memorando, desta vez com a Marubeni Corporation, vai avaliar o projeto da Refinaria Premium 1, no Maranhão.

A única que começa a sair do papel é a RPCC, que vai operar após as adequações nas instalações já existentes no Polo Industrial de Guamaré-RN, onde já é produzido GLP, conhecido como gás de cozinha, diesel e querosene de aviação (QAV). O governo do Rio Grande do Norte concedeu, nos primeiros dias de outubro, licença para o início das obras de ampliação da planta, que passará a produzir gasolina e diesel com qualidade internacional, além de nafta petroquímica, já no próximo ano.

Ainda que vá se tornar apta a refinar petróleo pesado e leve, na primeira fase vai processar apenas o petróleo extraído na bacia potiguar, com capacidade de processamento de 30 mil bpd. Com a produção de 4,5 mil barris diários de gasolina, o estado se tornará autossuficiente no combustível.

A unidade potiguar é uma das cinco unidades de refino projetadas pela Petrobras para elevar sua produção em 1,2 milhão de barris/dia até 2015. Atualmente, a capacidade de refino da estatal no país é de 1,9 milhão bpd, volume superior à demanda nacional de derivados, atualmente em torno de 1,8 milhão de barris/dia. Várias refinarias estão em obras de ampliação e modernização, como a Repar (R$ 7,2 bilhões, em torno de US$ 3,8 bilhões), no Paraná, onde a Petrobras tem o maior campo de obras do estado, e a Replan, em São Paulo (US$ 3,5 bilhões até 2013), entre outras. Somente na área industrial da Repar estão em construção 19 novas unidades que vão produzir coque de petróleo, propeno, hexano, gasolina, diesel e gás de cozinha.

A expansão da capacidade de refino é mandatória para fazer frente ao aumento de produção, embora hoje as refinarias ocupem menos de 90% da capacidade instalada. Por enquanto, o que se observa é que o parque de refino da Petrobras teve um aumento de mais 200 mil barris em sua capacidade, mais por conta da aquisição de refinaria no exterior. Em carga processada, a variação também é pequena, tendo passado de 1.891 mil bpd em 2006 para 2.044 mil bpd no ano seguinte, caindo para 1.976 mil bpd em 2008. Para este ano, a média está em 1.983 mil bpd.

Em compasso de espera – Dos US$ 174 bilhões de investimentos previstos no Plano de Negócios 2009-2013, US$ 43,4 bilhões são para a área de Abastecimento, incluindo os empreendimentos em refino e petroquímica. O maior projeto individual de todos era, até a revisão dos investimentos da refinaria do Nordeste, o Comperj, que, por enquanto, prevê investimentos da ordem de US$ 8,4 bilhões.

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, que terá capacidade para processar 150 mil barris/dia de óleo pesado nacional, está previsto para entrar em operação em 2012. No entanto, está com somente 42% da terraplenagem concluída, depois de novo acordo feito pela estatal com o consórcio CTC (formado pelas construtoras Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht e Queiroz Galvão).

Estima-se uma economia para o país de mais de US$ 2 bilhões/ano em divisas, graças ao maior processamento de petróleo nacional, sem a necessidade de importar óleo mais leve para o mix, e à redução da importação de derivados, como a nafta, e de produtos petroquímicos.
A fim de ampliar sua participação na área petroquímica, a Petrobras vem fazendo algumas alterações em suas plantas de refino. Em maio deste ano inaugurou a unidade de separação de propeno da Replan, refinaria que completou 37 anos de atividade. Foram investidos US$ 275 milhões na unidade, que produzirá 265 mil toneladas de propeno por ano, abastecendo o mercado petroquímico com o propeno grau polímero. Com demanda crescente em torno de 6% ao ano, esta matéria-prima é largamente utilizada na
Foto: Agência Petrobras

Replan, em ampliação, concluiu unidade de propeno
produção de polipropileno, resina termoplástica usada na fabricação de brinquedos, copos plásticos, embalagens para alimentos, remédios e produtos químicos. A unidade abastece a vizinha Braskem – Unidade Paulínia por meio de dutos.


Com unidades similares nas refinarias RLAM, Reduc, Revap, Recap e Refap, a Petrobras passou a ter, com a unidade de Paulínia, uma produção de 900 mil toneladas/ano, o que representa 37% da produção nacional. Falta ver quando o Comperj vai começar a avançar, com espírito olímpico, para mostrar, efetivamente, que poderá entrar em operação antes da Copa do Mundo. Há muito caminho a percorrer para se chegar lá.

DESAGUE EM LODO

DESÁGUE DE LODO
Cuca Jorge

Lodo da ETE São Miguel, após deságue, abastece carreta
Fornecedores de sistemas para deságue de lodo vivem era de grandes projetos, com obras em saneamento e na Petrobras

Marcelo Furtado
Alguns segmentos industriais, durante os piores meses da recessão econômica em 2009, podem afirmar que estavam no lugar certo, na hora certa, e bem longe da crise. Ou seja, estavam no
Brasil em um momento em que o setor público – leia-se aí a estatal do petróleo, a Petrobras, e as companhias municipais e estaduais de saneamento básico – colocava em prática vários grandes projetos. Para esses bem-afortunados, ao contrário dos fornecedores muito concentrados no setor privado, o qual permanece em marcha lenta, o ano pode já ser considerado como um dos melhores de suas histórias.

Nesse universo de privilegiados, o segmento que fornece sistemas e equipamentos para desidratação de lodo tem lugar garantido. Nos dois casos principais de investimentos, petróleo e saneamento, houve grande demanda por seus produtos. A Petrobras, para começar, dentro da onda bilionária de investimentos em meio ambiente em suas refinarias, constrói várias novas estações de tratamento de água e efluentes que precisam de decantadoras, filtros-prensa, adensadores, enfim, todo o portfólio voltado para fazer o deságue de lodo.

Já no caso do saneamento básico, além das várias obras em andamento por todo o Brasil, que corre para tentar diminuir um pouco seu déficit na prestação do serviço de água e esgoto, concorre a favor do segmento a tendência entre muitas companhias de passar a cuidar melhor também do lodo de estações de tratamento de água (ETAs). Mais antigas e em maior número no país, em comparação com as de tratamento de esgoto, as ETAs foram concebidas no passado sem a preocupação com o lodo gerado para preparar a água para o abastecimento. Para corrigir o gargalo, companhias de saneamento, principalmente as mais avançadas tecnológica e operacionalmente, começam a incluir etapas de deságue nas estações e muitas planejam fazer o mesmo no futuro.

O cenário de prosperidade tem atraído até o interesse de novos competidores, que começam a aparecer em concorrências e cotações de preços de EPCistas e, em alguns casos, em licitações públicas. São na sua maioria empresas espanholas que, segundo alguns de seus concorrentes locais, conseguem preços bastante competitivos em virtude de incentivos fiscais dados pelo governo espanhol com forma de conquistar novos mercados mundialmente. Esses grupos estariam participando como fornecedores de equipamentos e em alguns casos até como integradores de projetos completos.

Mas o parâmetro mais evidente do clima de negócios é a análise dos fabricantes já instalados no Brasil há algum tempo. O caso da Pieralisi, produtora de decanters centrífugas e secadores térmicos de origem italiana e com fábrica em Jundiaí-SP, é provavelmente o mais emblemático. Há quinze anos no Brasil e especializada no mercado de saneamento, a empresa já vendeu até setembro de 2009 mais do que em 2008 inteiro, este considerado por muitos um dos melhores da indústria. Foram comercializadas 188 decantadoras, contra 180 do ano anterior.
“Estamos em um ritmo frenético, com pedidos tanto para saneamento como para a Petrobras, e a atual fábrica já nem dá mais conta da rota de crescimento em que entramos”, comemorou a diretora da Pieralisi, Estela Testa. A feliz constatação, aliás, fez a empresa programar para 16 de novembro de 2009 a mudança da atual unidade de Jundiaí (inaugurada recentemente, em 2006, e com 2 mil m2) para outra na cidade de Louveira, na mesma região de Campinas-SP, cuja área útil será o dobro da atual em desativação, com mais de 4 mil m2.
Cuca Jorge

Estela: mudança de fábrica para atender aos pedidos
De acordo com Estela, o plano para a nova fábrica é maximizar a nacionalização dos componentes de seus equipamentos, aumentando consideravelmente o percentual atual de 30%. Mais do que um desejo, trata-se aí até mesmo de uma condição imposta pelo mercado, visto que para conseguir recursos do Finame/BNDES seus clientes são obrigados a comprar de empresas nacionais. “Por enquanto, no nosso planejamento, o único insumo que vamos precisar continuar a importar da Itália será o aço fundido centrifugado, que ainda não encontramos no Brasil”, explicou a diretora, complementando que este tipo de aço é necessário para a decantadora suportar a alta rotação de operação, sempre superior a 3 mil rpm.
Do parque fabril lotado de pedidos na atualidade, boa parte das encomendas segue para a Petrobras. Para deságue de lodo físico-químico em ETAs das refinarias da estatal, há decanters em obras novas na Recap, Reduc, Replan, Revap, RPBC, Regap e na UTE (usina térmica) de Canoas-RS. Para lodo biológico, lama oleosa, lodo físico-químico e anaeróbio das chamadas ETDIs (estações de tratamentos de despejos industriais), as vendas foram para Refap, Regap, Replan, Revap, RPBC, Rlam e para Macaé (exploração).
Cuca Jorge

Decantadoras tratam lodo na ETE Barueri da Sabesp
Já o saneamento, segundo Estela Testa, passa por ótima fase. Há obras em profusão por companhias estaduais, autarquias municipais e concessões privadas, que incorporam ou modernizam suas estações com sistemas de desidratação de lodo. Mas o melhor, para a diretora, é a mudança no perfil das demandas. Até o ano passado, segundo ela, era muito nítida a maior quantidade de vendas de decanters para desaguar lodo de estações de tratamento de esgotos. Isso tanto por causa das maiores exigências nesse segmento, que lida com um resíduo teoricamente mais perigoso, como também porque há mais obras novas em esgotamento sanitário, setor em que ainda há o maior gap nacional em praticamente todas as regiões do país.

Em 2009, continua Estela, ficou mais claro que muitos operadores se tornaram mais preocupados em cuidar dos lodos de ETAs, provenientes do tratamento físico-químico da água de abastecimento. “Houve um aumento de 50% nesses pedidos”, afirmou. Essa mudança tardia, mas bem-vinda de conceito, moderniza muitas estações, que passam a fazer o deságue do lodo para enviá-lo a aterros. Segundo Estela Testa, a Pieralisi conta com mais de 30 instalações. Possui um sistema na ETA Taiaçupeba, da Sabesp, que passa por ampliação em regime de PPP (parceria público-privada). São quatro decantadoras com vazão de tratamento para 30 m3/h cada.

De volta para o rio – A crescente preocupação com os lodos das ETAs, se de fato se alastrar pelo mercado brasileiro de saneamento, minimiza um contrassenso que ocorre indiscriminadamente pelo país. As companhias captam água dos rios cada vez mais poluídos, tratam com floculantes, coagulantes, cal e carvão ativado, geram quantidades imensas de lodos e, após isso, em vez de destiná-los desaguados e de forma correta para aterros, devolvem-nos aos rios. Isso não só ajuda a assorear os corpos d´água como piora a sua qualidade com a quantidade de produtos químicos presentes no lodo. Trata-se de situação perto do absurdo: a companhia polui mais o rio que ela precisa na sequência despoluir ao captar água para garantir abastecimento.
Um dos mais importantes exemplos de estação de tratamento de água pública com uma seção específica para desidratar o lodo ocorre nas ETAs 3 e 4 da companhia municipal de saneamento de Campinas-SP, a Sanasa, localizadas no distrito de Sousas, responsáveis pelo abastecimento de 75% (ou 3 mil litros por segundo) da população da cidade. Desde 2005 a estação colocou em operação uma unidade para tratar a grande quantidade de lodo gerada, cerca de 1.100 t/mês, pelas três decantadoras empregadas para reduzir a umidade do material para uma média de 30% a 50% de sólidos secos.

Segundo explicou o coordenador do setor de ETAs da Sanasa, Sidnei Lima Siqueira, a decisão pelo tratamento atende ao fato de a água captada do Rio Atibaia ser extremamente poluída, demandando uma grande quantidade de produtos químicos. “Não faz sentido voltarmos o lodo ainda mais contaminado para um rio tão maltratado”, disse Siqueira. Segundo ele, várias cidades na região descartam esgoto in-natura no rio. Só para se ter uma ideia da gravidade, trata-se do mesmo manancial que alimenta em São Paulo o sistema Cantareira da Sabesp (ETA Guaraú). “Mas em razão da poluição na região de Campinas há a necessidade de se dosar dez vezes mais produtos do que em São Paulo”, completou o coordenador.

O lodo da estação une a grande quantidade de contaminantes do rio com todo o residual do tratamento, que contempla pré-oxidação com cloro, a dosagem do coagulante policloreto de alumínio e, às vezes, de cloreto férrico. Depois de gerado nos decantadores primários, todo o lodo, via tubulação por gravidade, segue para tanques de equalização, onde há dosagem de polímeros aniônicos para adensamento. A partir daí seguem para as decanters Westfalia, cada uma com capacidade de vazão de 35 m3/h e de 750 kg/h de sólidos secos (duas em operação e uma em stand-by), onde na entrada há a dosagem de um polímero catiônico. A água resultante da centrifugação volta para o processo e o lodo alimenta quatro carretas por dia, que seguem para o aterro Estre, em Paulínia-SP.
Cuca Jorge





Galpão na ETA da Sanasa (acima) em Campinas-SP conta com três decanters para desaguar 1.100 t/mês de lodo, que seguem todo dia em carretas para aterro


Siqueira: unidade vai ter secagem
por energia solar
Apesar de operar de forma eficiente, e com capacidade para suportar 100% da geração, a estação em períodos de muita chuva não suporta uma geração até cinco vezes maior de lodo. “Nesses picos pontuais, somos obrigados a fechar a entrada na unidade de deságue e deixar o lodo seguir para o rio”, explicou. Para melhorar a operação, até o final do ano devem começar as obras de ampliação da ETA, quando as três centrífugas serão substituídas por quatro novas, cada uma delas capaz de gerar 1.500 kg/h de sólidos secos e para vazões de até 75 m3/h.

Com investimento total de R$ 4,6 milhões – 60% são recursos provenientes do plano de cobrança pelo uso da água gerido pelo comitê de bacia da região de Piracicaba, Capivari e Jundiaí –, as obras de reforma e ampliação ainda envolverão a inclusão de um gradeamento de areia e fino anterior à centrifugação, para diminuir o desgaste nas máquinas. E também contemplará a instalação de um galpão de secagem de lodo, que usará a energia solar para elevar até 60% o teor de sólidos secos do lodo e assim reduzir o valor do descarte em aterro.

No plano geral da Sanasa, segundo revelou Siqueira, a ideia é fazer nas outras ETAs, 1 e 2, que ainda não tratam os lodos, um projeto de interligação desses lodos para serem tratados em ETEs da Sanasa, que já possuem expertise e estrutura para deságue. “Nesses casos, fica mais fácil centralizar o tratamento, misturando os dois lodos e dando o mesmo destino a eles”, explicou.

Nas ETEs – A ideia de aproveitar o expertise das ETEs para fazer o desague de lodos de ETAs é compartilhada pela maior companhia estadual de saneamento do país, a Sabesp, de São Paulo. De acordo com o gerente de operação e manutenção da ETE São Miguel, Helvécio Carvalho de Sena, apesar de a companhia ter estações de desidratação de lodo em ETAs, como as de
Taiaçupeba e de Cubatão, o plano é concentrar essas operações em suas ETEs, onde há anos a empresa realiza o deságue em filtros-prensa e decanters e, portanto, possui know-how suficiente para aumentar sua responsabilidade.

Segundo Sena, está praticamente certo, por exemplo, que o lodo da ETA do Alto da Boa Vista será tratado na ETE Barueri, mesmo destino que deve ter o gerado na ETA Guaraú. “Onde for possível, a Sabesp fará um interceptor para levar os lodos das ETAs para uma ETE”, explicou o gerente. A centralização da operação, além de reduzir custos, pula a necessidade de adaptação dos profissionais das ETAs para a nova fase do tratamento, deixando a cargo de pessoas já bastante habituadas ao deságue de lodo em ETEs. É bom lembrar que algumas ETEs de São Paulo, como a de Suzano e de Barueri, já realizam o ofício há mais de vinte anos, desde quando foram fundadas.
Cuca Jorge

Sena: Sabesp planeja tratar lodos das ETAs nas ETEs
Para o gerente operacional da ETE São Miguel, que também já exerceu o cargo na maior estação do Brasil e uma das maiores do mundo, a de Barueri, não há grandes inconvenientes em receber lodo de ETAs nas estações de tratamento de esgoto. O único problema é a grande oscilação de
concentração de sólidos dos lodos nas mesmas bateladas, que podem variar de 0,1% até 3%. Mas isso é facilmente resolvido com um tanque de equalização na ETA anterior à entrada no interceptor. Padronizado, o lodo chegaria na ETE e seguiria a mesma rota de tratamento hoje utilizada em todas as estações da Sabesp.
O tratamento-padrão das estações da Sabesp é mandar o lodo biológico dos decantadores primários para os digestores anaeróbicos, onde as bactérias quebram a cadeia orgânica reduzindo o volume com eficiência de 40%. Isso significa que, de cada 100 t de lodo, 40 t vira biogás, que hoje ainda é queimado em flares. Depois do digestor, o lodo mineralizado (a 4% de sólidos em média) segue para um tanque onde recebe os coagulantes, normalmente o cloreto férrico, “por ter carga bastante positiva, ao contrário do lodo estável”, segundo ressaltou Helvécio Sena. Após
Cuca Jorge

Filtros-prensa em operação na ETE de São Miguel
isso, na hora de entrar nos filtros-prensa (caso da ETE São Miguel, Suzano, Parque Novo Mundo e ABC) ou nas decanters (ETE Barueri, que usa além de três filtros-prensa, 9 centrífugas), há a dosagem de polímeros catiônicos.

Os lodos desaguados, numa faixa de 25% de sólidos secos (nas decanters) até 30% nos filtros-prensa, segundo afirmou Sena, seguem para descarte em aterros. Nesse caso, a Sabesp tem o custo apenas do transporte via caminhões, visto contar com acordo comercial com a prefeitura de São Paulo, pelo qual destina seus lodos em troca do tratamento do chorume dos aterros municipais. No total, as cinco grandes estações da Sabesp geram em média 550 t/dia de lodo úmido a 30%, sendo 50 t cada nas ETEs Suzano e São Miguel, 100 t nas do Parque Novo Mundo e do ABC e 250 t em Barueri.

Secagem térmica – A destinação em aterros dessa grande quantidade de lodos de ETEs, demanda que promete crescer por causa dos lodos de ETAs, é considerada um dos grandes desafios do saneamento. A Sabesp, por exemplo, apesar de ter acordo com a prefeitura de São Paulo, tem um custo muito alto de transporte por carregar nessas operações até 70% de água. Isso sem falar que a companhia opera em todo o Estado, onde não há acordos desse tipo, e ainda planeja passar a ser operadora terceirizada no resto do país, portanto, precisará no futuro minimizar o custo dessas operações.
Com esse cenário, há quem considere irreversível a tendência de diminuir cada vez mais o volume do lodo, por meio principalmente de sistemas de secagem térmica, capazes de desaguar o lodo até o percentual de 95%. A Sabesp, por exemplo, estuda profundamente o assunto, chegou até a montar um plano diretor com esse propósito, e tem um secador instalado na ETE São Miguel, que já operou, mas encontra-se atualmente parado por uma questão de desentendimento contratual com a fornecedora da planta, a empresa de engenharia Veolia. O imbróglio entre as duas empresas rende um longo processo judicial. Por estar sub judice, a Sabesp se nega a dar detalhes sobre o ocorrido. A única informação prestada é de que o equipamento (da belga Seghers) secaria o lodo das ETEs de São Miguel, Suzano e Parque Novo Mundo. No mercado, porém, corre a notícia de que o equipamento não atende às especificações técnicas originais do projeto, o que
Cuca Jorge

Senador desativado trataria iodo de três ETEs da Sabesp
não garantiria uma operação segura (é bom ressaltar que a secagem de lodo, com alto poder calorífico, cria naturalmente condições de explosividade).

Embora em São Paulo a secagem de lodo ainda seja um plano possível, há outros exemplos no país já em operação. Na companhia estadual do Rio de Janeiro, a Cedae, há seis secadores instalados, todos eles fornecidos pela Pieralisi, que possui unidade fabril de secadores na Espanha. Segundo a diretora Estela Testa, quatro estão em operação: desde janeiro de 2009 na ETE Alegria e em junho na ETE Barra. Há ainda outros instalados nas ETEs Pavuna, Sarapuí e São Gonçalo. Apenas está parado o da estação da Ilha do Governador, pois neste a companhia está adaptando o uso do biogás gerado nos digestores para substituir o gás natural.
O equipamento de secagem da Pieralisi possui tecnologia desenvolvida pela filial espanhola, onde a aplicação é bastante difundida e conta com mais de 80 instalações. Trata-se de sistema de troca direta, com chama direta e troca térmica por convecção. Operando com queimador a 800ºC, alimentado por qualquer tipo de combustível, o resíduo segue primeiramente para a câmara de combustão, onde um cilindro incorporado, de diâmetro maior, cria isolamento e resfriamento com circulação forçada de ar, efetuada por eletroventilador. Esse fluxo de ar proporciona a combustão.
Após isso, em uma pré-câmara, há a passagem dos gases e a regulação da temperatura, com a entrada de ar, que a diminui para cerca de 450ºC, permitindo a ida do lodo à câmara de secagem (tambor rotativo), onde sua umidade cai para 5% a 10%. Os gases seguem para lavadores e, segundo estudos com os primeiros casos no Brasil, atendem às normas mais rigorosas de material particulado, com 10 ppm, abaixo dos 50 ppm exigidos por lei europeia, e de óxidos de nitrogênio, com 140 ppm, abaixo dos 500 ppm da norma alemã. Com teor de sólidos secos de até 90%, os lodos tratados pelos secadores no Rio são doados para agricultores, para uso como fertilizantes, atendendo à resolução 375 do Conama que disciplina a atividade.

Leito fluidizado – Há outros competidores de olho no possível despertar do mercado de secagem térmica de lodo. A alemã Andritz Separation, também fornecedora de decanters, conta com uma linha completa de sistemas de secagem térmica, bastante empregados mundialmente, e trabalha com a possibilidade de iniciar no médio prazo as vendas nessa área, apesar de ainda não ter
comercializado nenhum secador no Brasil. “O nosso equipamento segue padrões mais rigorosos de segurança, com circuito fechado e atmosfera controlada; por isso, é um pouco mais caro. Mas, quando esse mercado deslanchar no país, haverá espaço para nós também”, afirmou o diretor de processos térmicos da Andritz, Sérgio Costa.

Segundo Costa, apesar de contar com três tipos de sistemas – secador rotativo, de esteira e de leito fluidizado –, a intenção é divulgar mais no Brasil esta última tecnologia. Isso porque em primeiro lugar a filial brasileira, com fábrica em Pomerode-SC, está mais acostumada a fabricar os secadores de leito fluidizado para operações de processo industrial. E, em segundo, porque se trata de sistema estático em que as chances de acidente são menores. “E, além disso, controlamos o nível de oxigênio dentro do forno, que tem limite máximo de 8% para evitar explosão”, afirmou.
Cuca Jorge

Costa planeja vender secador de leito fluidizado no Brasil
O secador de leito fluidizado é composto por três seções diferentes. No plenum de ar, a parte inferior do equipamento, há uma chapa perfurada onde é injetado gás de fluidização. A seção intermediária é equipada com trocadores de calor, que são alimentados por fluidos térmicos a 220ºC (vapor ou óleo) usados para secar o lodo em grânulos secos. E, por fim, há o capô de exaustão, onde se separa o gás – arrastado por cima do leito com os pós finos e a umidade evaporada – dos granulados secos, que saem por uma saída na lateral do leito, com uma faixa de 90% a 95% de sólido.
Segundo explicou o diretor da Andritz, empresa também atuante na área de decanters, filtros-prensa e adensadores, o sistema é todo estanque e não permite a entrada de ar ambiente no leito, o que pode ser muito perigoso. O lodo úmido, desaguado entre 25% e 30% por decantadoras ou filtros-prensa, é bombeado diretamente para dentro do leito sem a necessidade de reciclo de produto seco para ser misturado ao úmido, como ocorre em outros processos de secagem. Outra vantagem é o fato de os granulados serem formados na camada em fluidização, resultando em partículas estáveis com tamanho na faixa de 1 a 5 mm. O pó retirado do leito é alimentado em misturador onde será granulado com o lodo úmido, retornando ao secador para tratamento. O condensado retorna ao processo.

Se a secagem térmica ainda não deslanchou, há outros movimentos interessantes no mercado nacional de deságue de lodo que fazem supor uma evolução tecnológica. Um exemplo ocorre na Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, uma das estaduais que mais investem nos últimos anos. Na ETE Arrudas, em Belo Horizonte, a empresa colocará em operação no início de 2010 um projeto de cogeração de energia, no qual aproveitará o biogás dos digestores para aquecer o lodo antes da digestão e assim melhorar o desempenho biológico.

No projeto, a Alfa Laval forneceu para a construtora Barbosa Melo, responsável pela obra, um pacote que inclui uma decanter centrífuga de 45 m3/h e quatro trocadores de calor, pelos quais a água aquecida pelo biogás passará para aumentar a temperatura do lodo. Serão trocadores do tipo espiral, segundo explicou o engenheiro da Alfa Laval, Daniel Pavan, que evitarão a incrustação do lodo por causa de seu desenho autolimpante. “A Copasa é uma das primeiras a aproveitar o biogás para algo que melhorará seu tratamento de esgoto”, elogiou Pavan.

Além desse fornecimento, outras vendas da Alfa Laval também demonstram um novo cenário do mercado. As últimas boas vendas de centrífugas decantadoras da companhia de origem sueca, com fábrica em São Paulo, foram para três concessões privadas de saneamento, em específico para a
Odebrecht Engenharia Ambiental, recentemente rebatizada de Foz do Brasil. Essas concessões do grupo baiano ficam em Limeira e Rio Claro, em São Paulo, e em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Foram duas decanters para tratamento de lodo de esgoto em Limeira, com vazão na faixa de 35 m3/h, uma pequena em Rio Claro (3 m3/h) e mais duas para a cidade capixaba, uma para ETE e outra para ETA.

Segundo Pavan, a Alfa Laval registrou grande crescimento nas vendas para o mercado de saneamento, compensando a estagnação do setor privado, onde até então era mais forte na venda não só de centrífugas decantadoras para efluentes como para processos industriais. Colaborou com esse novo cenário também o fato de a empresa vir de um processo intenso de nacionalização da fabricação em São Paulo. “Hoje estamos
Cuca Jorge

Pavan comemora vendas para concessão privada
bem competitivos também nesse mercado, que exige máquinas mais robustas e com preços não muito altos como os praticados em processo industrial”, finalizou Pavan.
Empresas vendem geotêxteis no Brasil
Algumas empresas começaram a vender no Brasil, nos últimos anos, para desidratação de lodo, sistemas com mantas de geotêxtil de polipropileno que formam imensas bolhas para fazer a separação sólido-líquido do lodo. Os tecidos costurados como tubos recebem por bombeamento o material floculado até seu esgotamento e o líquido é drenado pelos poros do
geotêxtil e pode ser reaproveitado. Depois da saturação, com o material seco entre 30% e 40%, o tubo é rasgado e o lodo segue removido para destino. Para especialistas do mercado, trata-se de uma saída econômica em situações em que o investimento em um filtro-prensa ou centrífuga decantadora torna-se injustificável, em estações pequenas e/ou em operações pontuais de deságue de lodo de tanques na indústria.

A empresa mais empenhada na divulgação da tecnologia é a Allonda, de São Paulo, que representa o grupo holandês e norte-americano Tencate, dono da marca Geotube, de tubos geotêxteis de PP resistentes ao UV. Segundo o diretor da Allonda, Luiz Gustavo Escobar, a empresa possui tubos standard com capacidade para 1 m3 a até 880 m3 de material seco. Para ele, os projetos dos tubos vão variar
Cuca Jorge

Escobar está animado com os negócios
conforme a quantidade de sólidos totais e demais características do lodo, análise feita por laboratório contratado pela Allonda. Escobar afirma que a empresa tem tido bom desempenho no Brasil, em operações para o mercado de saneamento, papel e celulose, siderurgia e química.

DESAGUE EM LODO

DESÁGUE DE LODO
Cuca Jorge

Lodo da ETE São Miguel, após deságue, abastece carreta
Fornecedores de sistemas para deságue de lodo vivem era de grandes projetos, com obras em saneamento e na Petrobras

Marcelo Furtado
Alguns segmentos industriais, durante os piores meses da recessão econômica em 2009, podem afirmar que estavam no lugar certo, na hora certa, e bem longe da crise. Ou seja, estavam no
Brasil em um momento em que o setor público – leia-se aí a estatal do petróleo, a Petrobras, e as companhias municipais e estaduais de saneamento básico – colocava em prática vários grandes projetos. Para esses bem-afortunados, ao contrário dos fornecedores muito concentrados no setor privado, o qual permanece em marcha lenta, o ano pode já ser considerado como um dos melhores de suas histórias.

Nesse universo de privilegiados, o segmento que fornece sistemas e equipamentos para desidratação de lodo tem lugar garantido. Nos dois casos principais de investimentos, petróleo e saneamento, houve grande demanda por seus produtos. A Petrobras, para começar, dentro da onda bilionária de investimentos em meio ambiente em suas refinarias, constrói várias novas estações de tratamento de água e efluentes que precisam de decantadoras, filtros-prensa, adensadores, enfim, todo o portfólio voltado para fazer o deságue de lodo.

Já no caso do saneamento básico, além das várias obras em andamento por todo o Brasil, que corre para tentar diminuir um pouco seu déficit na prestação do serviço de água e esgoto, concorre a favor do segmento a tendência entre muitas companhias de passar a cuidar melhor também do lodo de estações de tratamento de água (ETAs). Mais antigas e em maior número no país, em comparação com as de tratamento de esgoto, as ETAs foram concebidas no passado sem a preocupação com o lodo gerado para preparar a água para o abastecimento. Para corrigir o gargalo, companhias de saneamento, principalmente as mais avançadas tecnológica e operacionalmente, começam a incluir etapas de deságue nas estações e muitas planejam fazer o mesmo no futuro.

O cenário de prosperidade tem atraído até o interesse de novos competidores, que começam a aparecer em concorrências e cotações de preços de EPCistas e, em alguns casos, em licitações públicas. São na sua maioria empresas espanholas que, segundo alguns de seus concorrentes locais, conseguem preços bastante competitivos em virtude de incentivos fiscais dados pelo governo espanhol com forma de conquistar novos mercados mundialmente. Esses grupos estariam participando como fornecedores de equipamentos e em alguns casos até como integradores de projetos completos.

Mas o parâmetro mais evidente do clima de negócios é a análise dos fabricantes já instalados no Brasil há algum tempo. O caso da Pieralisi, produtora de decanters centrífugas e secadores térmicos de origem italiana e com fábrica em Jundiaí-SP, é provavelmente o mais emblemático. Há quinze anos no Brasil e especializada no mercado de saneamento, a empresa já vendeu até setembro de 2009 mais do que em 2008 inteiro, este considerado por muitos um dos melhores da indústria. Foram comercializadas 188 decantadoras, contra 180 do ano anterior.
“Estamos em um ritmo frenético, com pedidos tanto para saneamento como para a Petrobras, e a atual fábrica já nem dá mais conta da rota de crescimento em que entramos”, comemorou a diretora da Pieralisi, Estela Testa. A feliz constatação, aliás, fez a empresa programar para 16 de novembro de 2009 a mudança da atual unidade de Jundiaí (inaugurada recentemente, em 2006, e com 2 mil m2) para outra na cidade de Louveira, na mesma região de Campinas-SP, cuja área útil será o dobro da atual em desativação, com mais de 4 mil m2.
Cuca Jorge

Estela: mudança de fábrica para atender aos pedidos
De acordo com Estela, o plano para a nova fábrica é maximizar a nacionalização dos componentes de seus equipamentos, aumentando consideravelmente o percentual atual de 30%. Mais do que um desejo, trata-se aí até mesmo de uma condição imposta pelo mercado, visto que para conseguir recursos do Finame/BNDES seus clientes são obrigados a comprar de empresas nacionais. “Por enquanto, no nosso planejamento, o único insumo que vamos precisar continuar a importar da Itália será o aço fundido centrifugado, que ainda não encontramos no Brasil”, explicou a diretora, complementando que este tipo de aço é necessário para a decantadora suportar a alta rotação de operação, sempre superior a 3 mil rpm.
Do parque fabril lotado de pedidos na atualidade, boa parte das encomendas segue para a Petrobras. Para deságue de lodo físico-químico em ETAs das refinarias da estatal, há decanters em obras novas na Recap, Reduc, Replan, Revap, RPBC, Regap e na UTE (usina térmica) de Canoas-RS. Para lodo biológico, lama oleosa, lodo físico-químico e anaeróbio das chamadas ETDIs (estações de tratamentos de despejos industriais), as vendas foram para Refap, Regap, Replan, Revap, RPBC, Rlam e para Macaé (exploração).
Cuca Jorge

Decantadoras tratam lodo na ETE Barueri da Sabesp
Já o saneamento, segundo Estela Testa, passa por ótima fase. Há obras em profusão por companhias estaduais, autarquias municipais e concessões privadas, que incorporam ou modernizam suas estações com sistemas de desidratação de lodo. Mas o melhor, para a diretora, é a mudança no perfil das demandas. Até o ano passado, segundo ela, era muito nítida a maior quantidade de vendas de decanters para desaguar lodo de estações de tratamento de esgotos. Isso tanto por causa das maiores exigências nesse segmento, que lida com um resíduo teoricamente mais perigoso, como também porque há mais obras novas em esgotamento sanitário, setor em que ainda há o maior gap nacional em praticamente todas as regiões do país.

Em 2009, continua Estela, ficou mais claro que muitos operadores se tornaram mais preocupados em cuidar dos lodos de ETAs, provenientes do tratamento físico-químico da água de abastecimento. “Houve um aumento de 50% nesses pedidos”, afirmou. Essa mudança tardia, mas bem-vinda de conceito, moderniza muitas estações, que passam a fazer o deságue do lodo para enviá-lo a aterros. Segundo Estela Testa, a Pieralisi conta com mais de 30 instalações. Possui um sistema na ETA Taiaçupeba, da Sabesp, que passa por ampliação em regime de PPP (parceria público-privada). São quatro decantadoras com vazão de tratamento para 30 m3/h cada.

De volta para o rio – A crescente preocupação com os lodos das ETAs, se de fato se alastrar pelo mercado brasileiro de saneamento, minimiza um contrassenso que ocorre indiscriminadamente pelo país. As companhias captam água dos rios cada vez mais poluídos, tratam com floculantes, coagulantes, cal e carvão ativado, geram quantidades imensas de lodos e, após isso, em vez de destiná-los desaguados e de forma correta para aterros, devolvem-nos aos rios. Isso não só ajuda a assorear os corpos d´água como piora a sua qualidade com a quantidade de produtos químicos presentes no lodo. Trata-se de situação perto do absurdo: a companhia polui mais o rio que ela precisa na sequência despoluir ao captar água para garantir abastecimento.
Um dos mais importantes exemplos de estação de tratamento de água pública com uma seção específica para desidratar o lodo ocorre nas ETAs 3 e 4 da companhia municipal de saneamento de Campinas-SP, a Sanasa, localizadas no distrito de Sousas, responsáveis pelo abastecimento de 75% (ou 3 mil litros por segundo) da população da cidade. Desde 2005 a estação colocou em operação uma unidade para tratar a grande quantidade de lodo gerada, cerca de 1.100 t/mês, pelas três decantadoras empregadas para reduzir a umidade do material para uma média de 30% a 50% de sólidos secos.

Segundo explicou o coordenador do setor de ETAs da Sanasa, Sidnei Lima Siqueira, a decisão pelo tratamento atende ao fato de a água captada do Rio Atibaia ser extremamente poluída, demandando uma grande quantidade de produtos químicos. “Não faz sentido voltarmos o lodo ainda mais contaminado para um rio tão maltratado”, disse Siqueira. Segundo ele, várias cidades na região descartam esgoto in-natura no rio. Só para se ter uma ideia da gravidade, trata-se do mesmo manancial que alimenta em São Paulo o sistema Cantareira da Sabesp (ETA Guaraú). “Mas em razão da poluição na região de Campinas há a necessidade de se dosar dez vezes mais produtos do que em São Paulo”, completou o coordenador.

O lodo da estação une a grande quantidade de contaminantes do rio com todo o residual do tratamento, que contempla pré-oxidação com cloro, a dosagem do coagulante policloreto de alumínio e, às vezes, de cloreto férrico. Depois de gerado nos decantadores primários, todo o lodo, via tubulação por gravidade, segue para tanques de equalização, onde há dosagem de polímeros aniônicos para adensamento. A partir daí seguem para as decanters Westfalia, cada uma com capacidade de vazão de 35 m3/h e de 750 kg/h de sólidos secos (duas em operação e uma em stand-by), onde na entrada há a dosagem de um polímero catiônico. A água resultante da centrifugação volta para o processo e o lodo alimenta quatro carretas por dia, que seguem para o aterro Estre, em Paulínia-SP.
Cuca Jorge





Galpão na ETA da Sanasa (acima) em Campinas-SP conta com três decanters para desaguar 1.100 t/mês de lodo, que seguem todo dia em carretas para aterro


Siqueira: unidade vai ter secagem
por energia solar
Apesar de operar de forma eficiente, e com capacidade para suportar 100% da geração, a estação em períodos de muita chuva não suporta uma geração até cinco vezes maior de lodo. “Nesses picos pontuais, somos obrigados a fechar a entrada na unidade de deságue e deixar o lodo seguir para o rio”, explicou. Para melhorar a operação, até o final do ano devem começar as obras de ampliação da ETA, quando as três centrífugas serão substituídas por quatro novas, cada uma delas capaz de gerar 1.500 kg/h de sólidos secos e para vazões de até 75 m3/h.

Com investimento total de R$ 4,6 milhões – 60% são recursos provenientes do plano de cobrança pelo uso da água gerido pelo comitê de bacia da região de Piracicaba, Capivari e Jundiaí –, as obras de reforma e ampliação ainda envolverão a inclusão de um gradeamento de areia e fino anterior à centrifugação, para diminuir o desgaste nas máquinas. E também contemplará a instalação de um galpão de secagem de lodo, que usará a energia solar para elevar até 60% o teor de sólidos secos do lodo e assim reduzir o valor do descarte em aterro.

No plano geral da Sanasa, segundo revelou Siqueira, a ideia é fazer nas outras ETAs, 1 e 2, que ainda não tratam os lodos, um projeto de interligação desses lodos para serem tratados em ETEs da Sanasa, que já possuem expertise e estrutura para deságue. “Nesses casos, fica mais fácil centralizar o tratamento, misturando os dois lodos e dando o mesmo destino a eles”, explicou.

Nas ETEs – A ideia de aproveitar o expertise das ETEs para fazer o desague de lodos de ETAs é compartilhada pela maior companhia estadual de saneamento do país, a Sabesp, de São Paulo. De acordo com o gerente de operação e manutenção da ETE São Miguel, Helvécio Carvalho de Sena, apesar de a companhia ter estações de desidratação de lodo em ETAs, como as de
Taiaçupeba e de Cubatão, o plano é concentrar essas operações em suas ETEs, onde há anos a empresa realiza o deságue em filtros-prensa e decanters e, portanto, possui know-how suficiente para aumentar sua responsabilidade.

Segundo Sena, está praticamente certo, por exemplo, que o lodo da ETA do Alto da Boa Vista será tratado na ETE Barueri, mesmo destino que deve ter o gerado na ETA Guaraú. “Onde for possível, a Sabesp fará um interceptor para levar os lodos das ETAs para uma ETE”, explicou o gerente. A centralização da operação, além de reduzir custos, pula a necessidade de adaptação dos profissionais das ETAs para a nova fase do tratamento, deixando a cargo de pessoas já bastante habituadas ao deságue de lodo em ETEs. É bom lembrar que algumas ETEs de São Paulo, como a de Suzano e de Barueri, já realizam o ofício há mais de vinte anos, desde quando foram fundadas.
Cuca Jorge

Sena: Sabesp planeja tratar lodos das ETAs nas ETEs
Para o gerente operacional da ETE São Miguel, que também já exerceu o cargo na maior estação do Brasil e uma das maiores do mundo, a de Barueri, não há grandes inconvenientes em receber lodo de ETAs nas estações de tratamento de esgoto. O único problema é a grande oscilação de
concentração de sólidos dos lodos nas mesmas bateladas, que podem variar de 0,1% até 3%. Mas isso é facilmente resolvido com um tanque de equalização na ETA anterior à entrada no interceptor. Padronizado, o lodo chegaria na ETE e seguiria a mesma rota de tratamento hoje utilizada em todas as estações da Sabesp.
O tratamento-padrão das estações da Sabesp é mandar o lodo biológico dos decantadores primários para os digestores anaeróbicos, onde as bactérias quebram a cadeia orgânica reduzindo o volume com eficiência de 40%. Isso significa que, de cada 100 t de lodo, 40 t vira biogás, que hoje ainda é queimado em flares. Depois do digestor, o lodo mineralizado (a 4% de sólidos em média) segue para um tanque onde recebe os coagulantes, normalmente o cloreto férrico, “por ter carga bastante positiva, ao contrário do lodo estável”, segundo ressaltou Helvécio Sena. Após
Cuca Jorge

Filtros-prensa em operação na ETE de São Miguel
isso, na hora de entrar nos filtros-prensa (caso da ETE São Miguel, Suzano, Parque Novo Mundo e ABC) ou nas decanters (ETE Barueri, que usa além de três filtros-prensa, 9 centrífugas), há a dosagem de polímeros catiônicos.

Os lodos desaguados, numa faixa de 25% de sólidos secos (nas decanters) até 30% nos filtros-prensa, segundo afirmou Sena, seguem para descarte em aterros. Nesse caso, a Sabesp tem o custo apenas do transporte via caminhões, visto contar com acordo comercial com a prefeitura de São Paulo, pelo qual destina seus lodos em troca do tratamento do chorume dos aterros municipais. No total, as cinco grandes estações da Sabesp geram em média 550 t/dia de lodo úmido a 30%, sendo 50 t cada nas ETEs Suzano e São Miguel, 100 t nas do Parque Novo Mundo e do ABC e 250 t em Barueri.

Secagem térmica – A destinação em aterros dessa grande quantidade de lodos de ETEs, demanda que promete crescer por causa dos lodos de ETAs, é considerada um dos grandes desafios do saneamento. A Sabesp, por exemplo, apesar de ter acordo com a prefeitura de São Paulo, tem um custo muito alto de transporte por carregar nessas operações até 70% de água. Isso sem falar que a companhia opera em todo o Estado, onde não há acordos desse tipo, e ainda planeja passar a ser operadora terceirizada no resto do país, portanto, precisará no futuro minimizar o custo dessas operações.
Com esse cenário, há quem considere irreversível a tendência de diminuir cada vez mais o volume do lodo, por meio principalmente de sistemas de secagem térmica, capazes de desaguar o lodo até o percentual de 95%. A Sabesp, por exemplo, estuda profundamente o assunto, chegou até a montar um plano diretor com esse propósito, e tem um secador instalado na ETE São Miguel, que já operou, mas encontra-se atualmente parado por uma questão de desentendimento contratual com a fornecedora da planta, a empresa de engenharia Veolia. O imbróglio entre as duas empresas rende um longo processo judicial. Por estar sub judice, a Sabesp se nega a dar detalhes sobre o ocorrido. A única informação prestada é de que o equipamento (da belga Seghers) secaria o lodo das ETEs de São Miguel, Suzano e Parque Novo Mundo. No mercado, porém, corre a notícia de que o equipamento não atende às especificações técnicas originais do projeto, o que
Cuca Jorge

Senador desativado trataria iodo de três ETEs da Sabesp
não garantiria uma operação segura (é bom ressaltar que a secagem de lodo, com alto poder calorífico, cria naturalmente condições de explosividade).

Embora em São Paulo a secagem de lodo ainda seja um plano possível, há outros exemplos no país já em operação. Na companhia estadual do Rio de Janeiro, a Cedae, há seis secadores instalados, todos eles fornecidos pela Pieralisi, que possui unidade fabril de secadores na Espanha. Segundo a diretora Estela Testa, quatro estão em operação: desde janeiro de 2009 na ETE Alegria e em junho na ETE Barra. Há ainda outros instalados nas ETEs Pavuna, Sarapuí e São Gonçalo. Apenas está parado o da estação da Ilha do Governador, pois neste a companhia está adaptando o uso do biogás gerado nos digestores para substituir o gás natural.
O equipamento de secagem da Pieralisi possui tecnologia desenvolvida pela filial espanhola, onde a aplicação é bastante difundida e conta com mais de 80 instalações. Trata-se de sistema de troca direta, com chama direta e troca térmica por convecção. Operando com queimador a 800ºC, alimentado por qualquer tipo de combustível, o resíduo segue primeiramente para a câmara de combustão, onde um cilindro incorporado, de diâmetro maior, cria isolamento e resfriamento com circulação forçada de ar, efetuada por eletroventilador. Esse fluxo de ar proporciona a combustão.
Após isso, em uma pré-câmara, há a passagem dos gases e a regulação da temperatura, com a entrada de ar, que a diminui para cerca de 450ºC, permitindo a ida do lodo à câmara de secagem (tambor rotativo), onde sua umidade cai para 5% a 10%. Os gases seguem para lavadores e, segundo estudos com os primeiros casos no Brasil, atendem às normas mais rigorosas de material particulado, com 10 ppm, abaixo dos 50 ppm exigidos por lei europeia, e de óxidos de nitrogênio, com 140 ppm, abaixo dos 500 ppm da norma alemã. Com teor de sólidos secos de até 90%, os lodos tratados pelos secadores no Rio são doados para agricultores, para uso como fertilizantes, atendendo à resolução 375 do Conama que disciplina a atividade.

Leito fluidizado – Há outros competidores de olho no possível despertar do mercado de secagem térmica de lodo. A alemã Andritz Separation, também fornecedora de decanters, conta com uma linha completa de sistemas de secagem térmica, bastante empregados mundialmente, e trabalha com a possibilidade de iniciar no médio prazo as vendas nessa área, apesar de ainda não ter
comercializado nenhum secador no Brasil. “O nosso equipamento segue padrões mais rigorosos de segurança, com circuito fechado e atmosfera controlada; por isso, é um pouco mais caro. Mas, quando esse mercado deslanchar no país, haverá espaço para nós também”, afirmou o diretor de processos térmicos da Andritz, Sérgio Costa.

Segundo Costa, apesar de contar com três tipos de sistemas – secador rotativo, de esteira e de leito fluidizado –, a intenção é divulgar mais no Brasil esta última tecnologia. Isso porque em primeiro lugar a filial brasileira, com fábrica em Pomerode-SC, está mais acostumada a fabricar os secadores de leito fluidizado para operações de processo industrial. E, em segundo, porque se trata de sistema estático em que as chances de acidente são menores. “E, além disso, controlamos o nível de oxigênio dentro do forno, que tem limite máximo de 8% para evitar explosão”, afirmou.
Cuca Jorge

Costa planeja vender secador de leito fluidizado no Brasil
O secador de leito fluidizado é composto por três seções diferentes. No plenum de ar, a parte inferior do equipamento, há uma chapa perfurada onde é injetado gás de fluidização. A seção intermediária é equipada com trocadores de calor, que são alimentados por fluidos térmicos a 220ºC (vapor ou óleo) usados para secar o lodo em grânulos secos. E, por fim, há o capô de exaustão, onde se separa o gás – arrastado por cima do leito com os pós finos e a umidade evaporada – dos granulados secos, que saem por uma saída na lateral do leito, com uma faixa de 90% a 95% de sólido.
Segundo explicou o diretor da Andritz, empresa também atuante na área de decanters, filtros-prensa e adensadores, o sistema é todo estanque e não permite a entrada de ar ambiente no leito, o que pode ser muito perigoso. O lodo úmido, desaguado entre 25% e 30% por decantadoras ou filtros-prensa, é bombeado diretamente para dentro do leito sem a necessidade de reciclo de produto seco para ser misturado ao úmido, como ocorre em outros processos de secagem. Outra vantagem é o fato de os granulados serem formados na camada em fluidização, resultando em partículas estáveis com tamanho na faixa de 1 a 5 mm. O pó retirado do leito é alimentado em misturador onde será granulado com o lodo úmido, retornando ao secador para tratamento. O condensado retorna ao processo.

Se a secagem térmica ainda não deslanchou, há outros movimentos interessantes no mercado nacional de deságue de lodo que fazem supor uma evolução tecnológica. Um exemplo ocorre na Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, uma das estaduais que mais investem nos últimos anos. Na ETE Arrudas, em Belo Horizonte, a empresa colocará em operação no início de 2010 um projeto de cogeração de energia, no qual aproveitará o biogás dos digestores para aquecer o lodo antes da digestão e assim melhorar o desempenho biológico.

No projeto, a Alfa Laval forneceu para a construtora Barbosa Melo, responsável pela obra, um pacote que inclui uma decanter centrífuga de 45 m3/h e quatro trocadores de calor, pelos quais a água aquecida pelo biogás passará para aumentar a temperatura do lodo. Serão trocadores do tipo espiral, segundo explicou o engenheiro da Alfa Laval, Daniel Pavan, que evitarão a incrustação do lodo por causa de seu desenho autolimpante. “A Copasa é uma das primeiras a aproveitar o biogás para algo que melhorará seu tratamento de esgoto”, elogiou Pavan.

Além desse fornecimento, outras vendas da Alfa Laval também demonstram um novo cenário do mercado. As últimas boas vendas de centrífugas decantadoras da companhia de origem sueca, com fábrica em São Paulo, foram para três concessões privadas de saneamento, em específico para a
Odebrecht Engenharia Ambiental, recentemente rebatizada de Foz do Brasil. Essas concessões do grupo baiano ficam em Limeira e Rio Claro, em São Paulo, e em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Foram duas decanters para tratamento de lodo de esgoto em Limeira, com vazão na faixa de 35 m3/h, uma pequena em Rio Claro (3 m3/h) e mais duas para a cidade capixaba, uma para ETE e outra para ETA.

Segundo Pavan, a Alfa Laval registrou grande crescimento nas vendas para o mercado de saneamento, compensando a estagnação do setor privado, onde até então era mais forte na venda não só de centrífugas decantadoras para efluentes como para processos industriais. Colaborou com esse novo cenário também o fato de a empresa vir de um processo intenso de nacionalização da fabricação em São Paulo. “Hoje estamos
Cuca Jorge

Pavan comemora vendas para concessão privada
bem competitivos também nesse mercado, que exige máquinas mais robustas e com preços não muito altos como os praticados em processo industrial”, finalizou Pavan.
Empresas vendem geotêxteis no Brasil
Algumas empresas começaram a vender no Brasil, nos últimos anos, para desidratação de lodo, sistemas com mantas de geotêxtil de polipropileno que formam imensas bolhas para fazer a separação sólido-líquido do lodo. Os tecidos costurados como tubos recebem por bombeamento o material floculado até seu esgotamento e o líquido é drenado pelos poros do
geotêxtil e pode ser reaproveitado. Depois da saturação, com o material seco entre 30% e 40%, o tubo é rasgado e o lodo segue removido para destino. Para especialistas do mercado, trata-se de uma saída econômica em situações em que o investimento em um filtro-prensa ou centrífuga decantadora torna-se injustificável, em estações pequenas e/ou em operações pontuais de deságue de lodo de tanques na indústria.

A empresa mais empenhada na divulgação da tecnologia é a Allonda, de São Paulo, que representa o grupo holandês e norte-americano Tencate, dono da marca Geotube, de tubos geotêxteis de PP resistentes ao UV. Segundo o diretor da Allonda, Luiz Gustavo Escobar, a empresa possui tubos standard com capacidade para 1 m3 a até 880 m3 de material seco. Para ele, os projetos dos tubos vão variar
Cuca Jorge

Escobar está animado com os negócios
conforme a quantidade de sólidos totais e demais características do lodo, análise feita por laboratório contratado pela Allonda. Escobar afirma que a empresa tem tido bom desempenho no Brasil, em operações para o mercado de saneamento, papel e celulose, siderurgia e química.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

TECNOLOGIA E VIDA SOCIAL

O homem moderno tem incluído em seu cotidiano uma série de hábitos recheados de alta tecnologia, que o empurra cada vez mais para o isolamento, refletindo em seu convívio social, transformando toda a sociedade. Por causa disso e do computador que nos interliga a todos os lugares, não há mais separação da casa e do trabalho, com isso temos o contrafluxo da urbanização- ninguém precisa viver nas grandes metrópoles para manter-se informado, pois faz isso facilmente com as novas tecnologias.

A revolução digital trouxe um golpe fatal com a chegada da internet. Ela oferece aos usuários o que as ruas já não podem oferecer mais: segurança, conforto, lazer sem gastar muito, parecendo uma saída aos problemas das cidades, mas não parece real, pois ela não substitui o contato social quando estes necessitam de olho no olho, como as relações afetivas por exemplo.

Com a vida digital a urgência de contato pessoal está cada vez mais em segundo plano. Com a entrada do computador na vida acadêmica por exemplo, alunos que trocavam experiências sobre suas disciplinas passaram a discutir só sobre programas de computador. As visitas feitas em museus de arte, espetáculos e cinemas caíram drasticamente.

Desse modo, é preciso repensar um pouco mais sobre as conquistas tecnológicas invadindo a vida social das pessoas, talvez o fato de tornar o computador mais secundário em suas atividades faça o indivíduo menos dependente dessa máquina conquistando novamente os contatos sociais reais e mais produtivos para cada pessoa.

Para André Lemos a tecnologia não é mais um instrumento de separação, ela se transforma em uma ferramenta convivial e comunitária.

Neste final de século, a dinâmica sócio-técnica que se instaura mistura as tecnologias digitais e a socialidade pós-moderna formando então a cibercultura, onde a forma técnica é transformada da apropriação técnica do social para apropriação social da técnica, havendo uma convergência entre o social e o tecnológico, é a socialidade que se apropria da técnica.

A socialidade é a multiplicidade de experiências coletivas baseadas no ambiente imaginário, passional, erótico e violento do dia-a-dia, Para Michel Mafessoli a socialidade é um conjunto de práticas quotidianas que escapam do controle social rígido, são os momentos de submissão da razão à emoção de viver o estar junto, assim é a socialidade que faz a sociedade. A cibercultura é marcada por esse comportamento.

Nos dias de hoje há um surgimento de uma "cultura do sentimento", Mafessoli identifica que seja formada por relações táteis, preocupando-se apenas com o presente vivido coletivamente. Isso caracteriza a formação de uma sociedade de comunicação estruturada através da conectividade generalizada, utilizando redes planetárias de comunicação( ciberespaço ) em tempo real. Esse comunitarismo tribal está presente nas redes telemáticas como a internet. A socialidade então vai ser alimentada pelas tecnologias micro-eletrônicas e pelo excesso de imagens. O que caracterizará a nova geração será a simultaneidade.

Com o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação, podemos reconhecer ainda outro tipo de sociedade, a sociedade da informação, constituída por um público altamente educado e que tem acesso ao conhecimento. Na verdade há várias interpretações existentes sobre essa sociedade, o que realmente é importante é que a informação alcançou um alto patamar na sociedade contemporânea.

A revolução da informática está fazendo o poder econômico mudar de mãos, que está obrigatoriamente passando pelas mãos de quem tem esse controle sobre a informação.

Vivemos em nossos dias uma pós –industrialização - substituição da industrialização pelos serviços e informações como forma de economia dominante .

Vivemos em uma sociedade baseada na mídia, mas as características informacionais que nós encontramos vão mais além do que sugerem os sistemas de televisão, rádio e jornal. Dessa maneira, se torna imprescindível examinar o significado, a qualidade e o valor da informação. É preciso saber quem produziu a informação, com seus objetivos e conseqüências, abrindo um caminho mais amplo para avaliar a sociedade de informação.

Alguns autores analisam algumas ansiedades a serem trabalhadas; como os transtornos que as novas tecnologias podem causar à rotina e rituais da família, ameaçando seus valores, que pode ser vista também como uma "revolução doméstica".

É preciso reconhecer o significado social que o consumo das novas tecnologias agrega para profissionais e estudantes, empregados autônomos e desempregados, homem e mulher e nos dias de hoje até nas crianças, que define seu caráter social através do poder da cultura familiar.

Com toda essa análise não podemos deixar de citar os que ficam excluídos desse processo, talvez esse seja o futuro imperfeito das novas tecnologias que se configura sobretudo pelas desigualdades culturais e econômicas cada vez mais impostas aqueles que se encontram a margem da sociedade, os "sem tecnologia".

Para remanejar o mercado e toda essa face da realidade é preciso encontrar caminhos criativos e políticas públicas para não aumentar ainda mais as diferenças de oportunidades e para que não sejam ampliados os tradicionais níveis de desvantagens. É preciso ir mais além das atuais atitudes que o governo toma, que além de serem insuficientes, são quase inúteis para abranger toda a nossa sociedade, que está carregada de diferenças sociais, culturais e econômicas.